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Minha primeira viagem de trem foi em um final de semana na Polônia em que decidimos visitar Cracóvia. Confesso que estava muito empolgada com a experiência e, pelo que o pessoal dizia, o trem seria muito confortável, com camas nas cabines e etc e tal. Okay… Aceitei fazer a viagem com os outros estudantes e fomos à estação comprar as passagens. Como nós já esperávamos, a vendedora não falava um “a” em inglês e ninguém da turma falava um “a” em polonês, então voltamos aos métodos primitivos das mímicas e rabiscos. Finalmente, depois de muito esforço, conseguimos nossas passagens com desconto para estudantes. Tudo estava dando certo [pelo menos aparentemente].

Chegou o dia da viagem e fomos todos para a estação. O pesadelo começou assim que o trem parou em nossa frente e vimos uma multidão correndo para entrar. Certos que teríamos nossos lugares marcados, nós não nos preocupamos tanto em correr. Quando finalmente conseguimos entrar no trem, minha primeira reação foi dar meia volta e sair. O problema foi que, quando me virei, já havia uma multidão de pessoas atrás de mim e, quando consegui me esquivar delas, a porta já tinha se fechado e o trem já estava se movendo… Não tinha outra solução senão transitar por aqueles corredores absurdamente estreitos e lotados em busca de lugares. Para quem acha que estou exagerando com a descrição pode ver a foto e o vídeo abaixo. Aliás, se alguém entender o que o velhinho tanto diz, por favor me digam.

Depois de passar por uns [não-faço-a-menor-idéia-de-quantos] vagões, encontramos uma cabine vazia e fomos felizes nos acomodar. [Detalhe: não havia cama nenhuma, eram apenas assentos super estreitos para 8 pessoas]. Não se passaram nem 5 minutos para uma das fiscais do trem aparecer em nossa cabine e começar a falar em polonês. Para variar, ela também não falava inglês, então voltamos para o método primitivo. Conseguimos entender que ela queria ver as passagens e, quando mostramos, ela começou a gritar mil coisas. Eu, lembrando das poucas frases em polonês que havia lido em um livro, virei para ela e disse “Nie rozumiem polskiego” e então ela começou a fazer gestos indicando que não podiamos ficar nas cabines, apenas nos corredores. O detalhe é que os corredores já estavam lotados e tinham apenas uns banquinhos hiper-estreitos que estavam sendo super disputados. Para piorar a história, saímos das cabines e continuamos sem entender porque a fiscal continuava gritando freneticamente. Por sorte, havia um jovem polonês no corredor que falava inglês e nos fez uma tradução simultânea. O que ela estava dizendo é que nós compramos tickets com desconto para estudantes sendo que este desconto é apenas para estudantes poloneses. Agora, alguém consegue me explicar o porquê que a vendedora da estação nos vendeu um ticket com um desconto que não podíamos ter se estava estampado que não éramos poloneses? E o fato é que havia passagem para primeira e segunda classe, mas nem sabíamos disso quando fomos comprá-las. No final da história, tivemos que pagar mais caro pelo ticket e voltar para os corredores mega-estreitos. Fomos até o último vagão onde conseguimos nos acomodar “super confortáveis” no chão. Apesar de tudo isso, a viagem valeu a pena por todos os lugares que visitamos e as pessoas que lá conhecemos.

ps: Nem todos os trens poloneses são horrorosos assim, eles possuem uns modelos novos que são mais confortáveis.


Mimetismo (Barwy Ochronne)

barwy_ochronne

Diretor: Krzysztof Zanussi

Ano: 1976

Direção de fotografia: Edward Klosinski.

Direção de arte: Tadeusz Wybult.

Música: Wojciech Kilar.

Direção sonora: Wieslawa Dembinska.

Edição: Urszula Sliwinska.

Direção de produção: Tadeusz Drewno.

Elenco: Piotr Garlicki, Zbigniew Zapasiewicz, Christine Paul, Mariusz Dmochowski, Wojciech Alaborski, etc.

A história se passa em um acampamento estudantil no qual os estudantes submetem seus trabalhos a um concurso que irá premiar o melhor. Não sou nenhuma entendida de cinema, mas amei os diálogos e o humor sarcástico que o filme traz. Na minha opinião, mostra muito da política que está presente em qualquer tipo de organização.